
Essa semana uma paciente me fez uma pergunta e tive que pesquisar para responder:
“- Dr, porque diabético emagrece menos com a tirzepatida?”
Pesquisei e vendo os artigos pensei: isso deve dar um bom post, pois, outras pessoas devem ter a mesma dúvida.
Se esse tema te interessa então sugiro que você siga o meu canal no WhatsApp. Todo dia textos novos diretamente no seu WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb6U4AqKgsNzkBhubA40
Há também meu podcast no Spotify e meu canal no YouTube.
Nos últimos anos, a tirzepatida ganhou destaque como um dos medicamentos mais potentes para tratamento da obesidade e do Diabetes tipo 2 (DM2). Mas afinal, por que quem tem diabetes costuma emagrecer menos com tirzepatida do que quem não tem diabetes, mesmo usando a mesma dose?
Essa diferença apareceu de forma muito clara nos programas SURMOUNT x SURPASS. Dentro desses programas há vários estudos e um deles é o Surmount-1 e o Surpass-2. E o que eles concluiram?
Ou seja: mesma droga, doses semelhantes, há uma perda de peso menor quando há DM2.
Isso não é exclusivo da tirzepatida; já era observado com agonistas GLP-1 (semaglutida, liraglutida etc.): indivíduos com DM2 tipicamente emagrecem menos que não diabéticos com o mesmo fármaco.
Ou seja, a paciente estava certa e essa diferença não é impressão. Ela aparece de forma consistente nos trabalhos. Existe uma explicação, e faz todo sentido quando entendemos o que está acontecendo “por dentro” do organismo.
No diabetes tipo 2, o corpo vive há anos em um ambiente composto por:
Para ler mais sobre esse combo que está no corpo do paciente diabético, leiam sobre o Octeto de DeFronzo.
Quando a tirzepatida entra em cena no paciente diabético com obesidade, o primeiro grande impacto dela é:
Isso é excelente para a saúde a longo prazo, mas significa que a tirzepatida está trabalhando muito para organizar o metabolismo antes de mostrar todo o potencial de perda de peso. Já em pessoas com obesidade mas sem diabetes, essa bagunça no terreno costuma ser menor. Assim, o efeito mais evidente da tirzepatida é:
Resultado: o déficit calórico costuma ser maior, e a balança desce mais rápido.
Outra peça-chave dessa história é a insulina. Muitos pacientes com diabetes tipo 2 usam:
A insulina é um hormônio anabólico e armazenador, ou seja, ela facilita que o corpo guarde energia, especialmente na forma de gordura.
Quando a tirzepatida começa a funcionar, o ideal é conseguir reduzir gradualmente a dose de insulina, à medida que as glicemias melhoram. Porém, por questões de segurança, nem sempre isso é feito rapidamente. Nesse período, o paciente pode: estar comendo menos, porém, ainda convivendo com níveis elevados de insulina (endógena ou exógena). Isso naturalmente dificulta uma perda de gordura tão intensa quanto a de uma pessoa obesa sem diabetes e sem esse excesso de insulina circulante.
Em média, quem tem DM 2 carrega:
Além disso, muitos diabéticos são sedentários. Tudo isso faz com que o corpo “defenda” mais o próprio peso. É como se o organismo tivesse um set point mais rígido, dificultando mudanças bruscas.
Já o indivíduo obeso sem diabetes costuma ter um metabolismo um pouco menos deteriorado, o que permite uma resposta mais “limpa” ao déficit calórico induzido pela tirzepatida.
Na prática clínica, pode acontecer o seguinte:
E aí quando se comparam com amigos, parentes ou influenciadores sem diabetes, a frustração vem rápido: “Por que ele perdeu 20% do peso e eu ‘só’ 10?”
Do ponto de vista médico, perdas de 10–15% do peso corporal em pessoas com diabetes tipo 2 já estão associadas a:
Ou seja: o impacto clínico costuma ser gigantesco, mesmo que o número na balança pareça menor.
Algumas estratégias simples podem optimizar os resultados:
Autor: Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo – CRM-GO 13192 – RQE 11915 – Gostou do texto e quer conhecer mais sobre minha pratica clínica (presencial/telemedicina), clique aqui.
Revisor: Dra. Theresa Leo – Médica Nutróloga, Ginecologista e Obstetra – CRM-ES 8903 RQE 15007