Dia do Médico – 18/10


Lá se vão quase 19 anos de formado e anualmente no dia do médico faço uma reflexão para meus leitores, além de contar um pouco da minha história. 

A medicina pra mim, antes de ser uma profissão é uma arte, já que enxergo de forma mágica a capacidade que nós médicos temos de obter informações do paciente, analisar, diagnosticar e então instituir um tratamento. É uma arte mesclada com ciência e me sinto diariamente privilegiado em ter a oportunidade de praticá-la. 

Confesso que apesar de ser de uma família com mais de 40 médicos, pai médico, 4 irmãos da minha mãe médicos, primos médicos, não tive um grande fascínio pela Medicina durante a adolescência, principalmente pela carga de trabalho do meu pai. Não me achava capaz de ser médico, pelo contrário, achava difícil, tarefa árdua, minha família repetindo como um mantra, que Medicina era sacerdócio. 

Como era adolescente, via aquilo como uma profissão de muita abnegação, pra mim, queria algo mais fácil, prático e que me deixasse livre para ir e vir. Queria fazer acupuntura na China, fitoterapia, ser meio pajé. Mas o que tive para essa vida foi: ser médico e seguir a sina da família. Karma? Talvez?

No começo da faculdade, até o final do primeiro ano (2002), não era um aluno exemplar. Odiava anatomia, embriologia, histologia, mas era apaixonado por fisiologia (2003). Tudo que dependia de decoreba eu sofria, tudo que tinha que exigia compreeensão, eu assimilava e gostava. Via aplicabilidade. Acho que todo acadêmico passa por isso nos primeiros anos (pelo menos no método antigo de ensino, hoje há o PBL que é diferente). 

Pouco antes do meu pai falecer (2003) comecei a acompanhá-lo no ambulatório de reumatologia do Hospital Geral de Goiânia (HGG) e achava o máximo a forma que ele examinava e explicava para os pacientes a doença e o tratamento. O carinho que ele tratava os residentes e como ele torcia para que eles aprendessem. Acabei apaixonando em ensinar paciente, igual meu pai fazia. Hoje vejo que amo mais ensinar que cuidar. Estudo e aprendo para ensinar e cuidar. 

Cuidar qualquer bom médico cuida, mas ensinar o paciente sobre o que o levou a adoecer, como é o processo de adoecimento, o que alivia ou piora a doença e o que ele tomará de providência para curar ou remediar: isso me faz vibrar. Educação em saúde em especial é o que faz meus olhos brilharem. A empolgação que tenho ao explicar educação nutricional, mostra o quanto gosto dessa parte da consulta. Talvez por isso meus retornos durem 2 a 3 horas. 

Se hoje alguém me perguntar qual a minha missão, sempre friso a seguinte sequência: Aprender, ensinar, cuidar. 

Quando ensinamos, amplificamos o nosso auxílio. Levamos conhecimento para as pessoas e elas espalham esse conhecimento, com isso outras pessoas se beneficiarão disso. É por isso que hoje, enxergo minha pratica médica com 3 pilares:

  1. Cuidar dos meus afilhados na Nutrologia: quanto mais eles repetem o que ensino, mais pessoas estou ajudando de forma indireta. Mais estou cumprindo parte da minha missão.
  2. Escrever para meus leitores,
  3. Ensinar e cuidar dos meus pacientes

E a Medicina teoricamente deveria ser isso, aprender, ensinar e cuidar. Infelizmente tem quem acredite que o médico moderno deva ter boa eloquência, fazer vídeos em redes sociais, “captar” clientes. Dou boas gargalhadas dos meus colegas que escolhem esse caminho, acho engraçado e cada um luta com as “armas” que tem. Não há nada de errado nisso, desde que não se infrinja o código de ética médica. 

Eu honro meu pai, um baita médico reumatologista, escritor, preceptor, artista plástico, folclorista. 

Assim como ele sou médico e escritor. Sou médico e cuidador. É isso que me faz feliz. É isso que me move. Mesmo com toda decadência que presenciamos na Medicina. Com toda escória de profissionais que  portam CRM e envergonham a classe.

Não tenho pretensão de aposentar. Quero morrer velhinho, atendendo em um consultório cercado de verde, com minha horta na clínica, para continuar servindo chá para os meus pacientes. No SUS, como sou concursado, só largo o ambulatório de Nutrologia se se me aposentarem. Apesar das dificuldades da Medicina, de ser cansativo às vezes, eu amo muito o que faço e tento fazer com excelência.

Deixo aqui minha gratidão ao meu pai, meus tios (em especial minha tia Fabrycia (otorrino) e tia Ângela (gineco e obstetra), irmãs da minha mãe), meus professores da faculdade, professores da pós-graduação da ABRAN, amigos do Movimento Nutrologia Brasil, meus afilhados médicos que tanto me obrigam a estudar para ensinar. E em especial ao meus pacientes, afinal, eles que me motivam. O paciente é a razão da Medicina !

Goiânia, 18 de Outubro de 2026

Frederico Lobo – Médico Nutrólogo – CRM-GO 13912 – RQE 11915

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo

CRM-GO 13192 | RQE 11915
Fone: (62) 992337973 (WhatsApp)
Clínica Medicare: Rua 115-H, nº31, Setor Sul, Goiânia - GO

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