Quem me conhece sabe da minha paixão por milho e suas preparações: pamonha, milho cozido, milho refogado, creme de milho, caldo de milho e até picolé de milho. Só detesto curau.
Maio a Julho é oficialmente (na minha cabeça) a época de comer caldo de milho por conta do frio, então há 2 anos comecei a discutir com a Carol Morais (minha ex-sócia nutricionista e culinarista) uma sopa de milho. Informei que precisava de vegetais e que a sopa fosse “milhuda”, ou seja, massa de milho, grãos de milho, e aí começou a saga de análise sensorial, para sabermos o que iria compor a sopa (Milhorina), nome que inventei para a criação da criatura Carolina.
O milho tem um sabor naturalmente adocicado, terroso e amiláceo. Por isso, alguns alimentos ou misturrm podem “brigar” sensorialmente com ele, seja por excesso de amargor, acidez agressiva, metalicidade ou perfis aromáticos muito dominantes.
É importante frisar que não significa que é impossível combinar, a cozinha é sua, o gosto é seu rs! Mas pra harmonizar, exigirá técnica culinária para funcionar. Nesse caso da sopa de milho a lógica era: se o milho é a estrela pricipal, quem não combina/harmoniza com ele? Quem será que gerará “atrito” sensorial?
E também há combinações que muita gente faz, mas que tecnicamente podem gerar conflito sensorial:
Se é a estrela principal é o sabor que deve prevalecer na sopa, ou seja, quem harmoniza com milho e quem é proibido de entrar nessa sopa? Milho é amigo de:
Essa é a turma do bem, que não briga com o milho. Bora construir essa amizade?
Ingredientes:
1 cebola cortada em juliene
10 espigas de milho: 5 serão batidas (os grãos) no liquidificador com 500ml de água e peneiradas e 5 misturadas na sopa
Abobrinha italiana: 2 unidades, cortada em cubos, tirar a parte branca pois, é amarga
1kg de peito de frango: cubos pequenos, temperados com pimenta do reino, sal (10g), vinagre de maçã, 1 colher de sopa de azeite, marinar por 30 minutos
½ talo de Alho poró cortado em juliene
3 unidades de batata inglesa: cortada em cubos pequenos ou médios
2 Chuchus: cortados em cubo médios
Cebolinha e coentro no final: a gosto
Noz moscada: a gosto
Modo de preparo:
Tirar o frango da marinação de 30 minutos, seque-o com papel toalha e em uma frigideira bem quente coloque-o com 2 colheres de sopa de olho de canola ou girassol, espere até formar a reação de Maillard (ficar dourado). A reação faz toda diferença no sabor da sopa. Acrescente a cebola e refogue-a, até dourar. Depois acrescentar o alho poró. Cuidado com o fundo da panela, deixe em forno baixo posteriormente, pois se queimar, forma um gosto residual
Acrescentar nessa mistura: o milho batido, a abobrinha italiana cortada em cubos, bem como o chuchu. Acrescentar água já quente e ir cozinhando por 30 minutos. Quando a mistura já estiver bem cozida, acrescentar o milho batido e cozinhar por 20 minutos. Quando já estiver quase pronto, acertar o ponto do sal, colocar pitada de noz moscada. Só no final colocar o coentro, cebolinha e cheiro verde.
No prato (sugestão minha e da Carolina)
2 colheres de sopa de amêndoa laminada
1 colher de sopa de cebolinha picada fina
1 colher de sopa de coentro cortado fino
Creme de leite: acrescentar 1 col de sopa no prato e mexer.
Espero que gostem.
Autores:
Frederico Lobo
Carol Morais